O convite chegou pelo WhatsApp, num cartão digital com letra dourada e foto dos noivos na praia. Embaixo, um link: "Confirme sua presença até o dia 30". Você abriu, achou lindo, pensou "depois eu vejo". O dia 30 passou. A noiva mandou mensagem educada perguntando se você vai. E você, meio sem graça, disse que ainda estava vendo a escala do trabalho.
Todo mundo já foi esse convidado alguma vez. Não por maldade. Por distração, por cansaço, porque a vida tinha outras urgências.
Neste 28º Domingo do Tempo Comum, a liturgia inteira fala de festa. Isaías abre a mesa: o Senhor prepara "para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro", e promete que vai enxugar "as lágrimas de todas as faces". O salmo canta a mesa preparada e o cálice que transborda. E Jesus conta a parábola de um rei que organiza o casamento do filho e manda chamar os convidados.
Eles não vão. A resposta deles é assustadoramente comum: "um foi para o seu campo, outro para os seus negócios". Ninguém ali recusa por ódio ao rei. Recusam porque estão ocupados. O campo precisava de cuidado. O negócio precisava fechar. Coisas boas, legítimas, que simplesmente ocuparam o lugar da festa.
A parábola tem trechos duros, de violência e castigo, bem ao estilo das histórias que se contavam no tempo de Jesus para sacudir os ouvintes. Mas o coração dela é outro: o rei não desiste de encher a sala. Manda os empregados às encruzilhadas, e eles trazem "todos os que encontraram, maus e bons". Deus não cancela a festa quando a gente falta. Ele amplia a lista de convidados.
E o homem sem traje de festa? Ele entrou, mas não chegou. Estava na sala sem estar na festa. Quando o rei pergunta, chamando-o de amigo, "como entraste aqui sem o traje de festa?", ele não responde nada. Não tem desculpa, não tem alegria, não tem nada a dizer. É o retrato de quem vai à missa com o corpo e deixa a alma no estacionamento, conferindo o celular.
O traje de festa não é roupa cara. Ninguém recolhido nas encruzilhadas tinha dinheiro para comprar terno. O traje é disposição. É ter vindo de verdade, com o coração inteiro, pronto para celebrar. Paulo, na segunda leitura, mostra como isso fica na prática: "Sei viver na miséria e sei viver na abundância". Ele aprendeu a estar presente em qualquer situação, porque sabia de onde vinha a força: "Tudo posso naquele que me dá força."
Talvez a sua semana esteja apertada. Talvez o domingo seja o único dia para lavar roupa, fazer mercado, dar conta dos filhos. Deus sabe disso. O convite Dele não compete com a sua vida, quer entrar nela. O banquete começa na missa, mas continua no almoço de domingo, na mesa de plástico no quintal, no café com a vizinha. Cada vez que você está inteiro onde está, você veste o traje de festa.
E há uma alegria escondida nessa parábola: o convite continua valendo. Mesmo que você tenha deixado passar a data, mesmo que tenha dado desculpas, os mensageiros seguem saindo às encruzilhadas. Seu nome continua na lista.
Hoje, confirme sua presença. Se for à missa, chegue cinco minutos antes, deixe o celular no bolso e diga a Deus em silêncio: "Estou aqui, e vim por inteiro". Se não puder ir, sente-se à mesa do almoço sem pressa e olhe cada rosto como quem está numa festa de casamento. O Rei já preparou tudo. Só falta você entrar de verdade.
Que Deus abençoe sua oração.