12ª Semana do Tempo Comum — 26 de junho de 2026
Existe uma cena que quase todo mundo já viveu: você está num lugar público e percebe alguém que os outros parecem ignorar deliberadamente. Pode ser um morador de rua numa calçada movimentada, alguém com uma doença visível num ônibus cheio, um colega que virou motivo de fofoca no trabalho. A multidão desvia. Você também desvia. Não por maldade, mas porque há uma força invisível que diz: "esse não é o seu problema, não se envolva, você não sabe lidar com isso". Essa força tem nome. Chama-se exclusão — e ela é muito mais antiga do que a gente imagina.
Na época de Jesus, a lepra não era apenas uma doença. Era uma sentença social. O leproso perdia a família, o lar, o nome. Vivia fora das cidades, obrigado a gritar "impuro, impuro!" quando alguém se aproximava, para que as pessoas tivessem tempo de desviar. Era uma existência de invisibilidade forçada. E foi exatamente esse homem que, num gesto de enorme coragem, saiu da margem, atravessou a multidão e se ajoelhou diante de Jesus dizendo: "Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar." Não era uma exigência. Era um pedido cheio de esperança e ao mesmo tempo de dúvida — a dúvida de quem não está acostumado a receber.
A resposta de Jesus quebra todos os protocolos da época: "Jesus estendeu a mão, tocou nele." Tocou. Num contexto em que tocar um leproso significava tornar-se também impuro, Jesus escolhe o contato. Não aponta de longe, não pronuncia uma cura à distância. Ele toca. E diz: "Eu quero, fica limpo." O quero de Jesus não é permissão — é desejo. Deus deseja sua cura, seu pertencimento, sua vida plena.
A 1ª Leitura de hoje traz a queda de Jerusalém, a destruição do templo, o exílio do povo. É um texto duro, de ruína e perda. E o Salmo 136 é o choro desse povo às margens do rio Babilônia, sem conseguir cantar, com a harpa dependurada no salgueiro. Há uma tensão profunda entre esses dois textos e o Evangelho: de um lado, um povo que perdeu tudo e não encontra voz para louvar; do outro, um homem excluído que encontra em Jesus não apenas a cura do corpo, mas a restauração da vida inteira.
O que une essas histórias é que Deus não abandona quem está no limite. No exílio, a memória de Jerusalém mantém o povo vivo. À beira da estrada, a ousadia do leproso encontra o "eu quero" de Jesus. Em ambos os casos, a esperança não vem da força própria — vem de uma Palavra que se estende em direção ao que parece irrecuperável.
Hoje, a Palavra te convida a prestar atenção em quem você tem desviado o olhar. Talvez seja uma pessoa, talvez seja uma parte de você mesmo que você considera "impura" — uma ferida, uma vergonha, um fracasso que você acredita que Deus não quer tocar. O Evangelho de hoje diz o contrário. Jesus desce do monte, está no meio da multidão, e ainda assim enxerga o que ninguém quer ver. Ele te vê.
Um gesto concreto para hoje: lembre de alguém que você tem evitado — por desconforto, por medo, por julgamento — e considere dar um sinal de presença. Uma mensagem, um olhar, uma palavra. Não precisa resolver tudo. Precisa apenas estender a mão. Porque é isso que o Evangelho pede: não que você seja perfeito, mas que você imite o gesto de Jesus — e toque onde a exclusão quis que ninguém tocasse.
Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Que Deus abençoe sua oração.