Você já cuidou de uma horta no quintal ou de um vaso de temperos na janela? Quem já tentou sabe: o mato aparece do nada, teimoso, e vem crescendo bem coladinho na planta que a gente ama. A vontade é de arrancar tudo na hora. Mas se você puxa cedo demais, leva junto a raiz da salsinha, do manjericão, do que estava começando a vingar.
É mais ou menos disso que Jesus fala quando os discípulos pedem: "Explica-nos a parábola do joio!" E ele responde com calma: "O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino" (Mt 13,38). Repare que ninguém saiu correndo com a enxada. O dono da plantação escolheu esperar a colheita, no fim dos tempos, para separar uma coisa da outra.
Isso incomoda a gente, e é honesto reconhecer. Olhamos ao redor — o noticiário, a fila do banco, às vezes a nossa própria família — e vem aquela pergunta: por que Deus deixa o joio crescer? Por que o mal parece tão à vontade no meio do trigo? Nesta 17ª Semana do Tempo Comum, a Igreja não foge dessa angústia. Pelo contrário, ela coloca lado a lado o desabafo de Jeremias e a parábola de Jesus, como quem diz: pode chorar, pode reclamar, mas não perca a esperança.
Jeremias não segurou o choro: "Derramem lágrimas meus olhos, noite e dia, sem parar" (Jr 14,17). Ele via a terra ferida, a fome na cidade, e mesmo assim não desistiu de conversar com Deus. No meio do lamento, solta uma frase que é quase um respiro fundo: "Não és tu o Senhor, nosso Deus, que estamos esperando? Tu realizas todas essas coisas" (Jr 14,22). Ele chora e espera ao mesmo tempo. As duas coisas cabem no mesmo coração.
E aqui está o que me parece o mais bonito de tudo. A paciência de Deus com o joio não é descaso. É misericórdia com a gente. Porque, se formos sinceros, ninguém é só trigo. Cada um carrega um pouco de mato dentro, hábitos que ainda não se resolveram, dias em que a gente decepciona quem ama. Se Deus arrancasse o joio no susto, quem de nós ficaria de pé? A demora dele é o tempo que ele nos dá para mudar, para crescer, para virar trigo bom sem ser sufocado antes da hora.
E tem a promessa do fim da história, que não é ameaça, é convite: "Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai" (Mt 13,43). Não é para você ficar vigiando o mato do vizinho, contando os defeitos alheios. É para cuidar da sua própria raiz, confiante de que quem semeou a boa semente sabe muito bem o que está fazendo.
Então talvez o desafio de hoje não seja separar joio de trigo — esse serviço não é seu, graças a Deus. O desafio é confiar no jardineiro e regar o que é bom em você.
Hoje, escolha uma pessoa da sua convivência que você anda julgando meio depressa, aquela que só tem te parecido "mato". Antes de dormir, reze uma oração curta por ela, pelo nome. Peça a Deus a mesma paciência que ele tem com você. E, se der, faça um gesto concreto amanhã: uma mensagem, um "bom dia" sincero, um perdão adiado. Deixe o julgamento para o dono da plantação. O seu trabalho de hoje é bem mais simples e bem mais leve: continuar plantando o bem, mesmo com mato em volta.
Que Deus abençoe sua oração.